Os preços dos medicamentos comercializados no Brasil podem sofrer reajuste a partir desta terça-feira (31), com aumento máximo de até 3,81%. A autorização foi publicada pelo governo federal no Diário Oficial da União e segue critérios definidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por estabelecer os limites de preços no país.
A nova regra não determina um aumento automático, mas fixa um teto que pode ser aplicado pelas farmacêuticas, conforme características de cada produto, como nível de concorrência e presença de genéricos.
O modelo adotado divide os medicamentos em três faixas de reajuste:
Em geral, medicamentos com maior número de fabricantes e concorrência — especialmente os genéricos — entram na faixa com maior limite de aumento. Já produtos com poucas opções no mercado ficam nos níveis mais baixos.
Apesar da autorização, o reajuste médio definido para 2026 ficou em até 2,47%, considerado o menor dos últimos anos e abaixo da inflação acumulada no período, segundo a CMED. O índice segue em queda desde 2023, após anos em que chegou a ultrapassar os 10%.
Entre os remédios mais usados pela população, especialmente no tratamento de doenças crônicas, a distribuição costuma acompanhar o nível de concorrência.
Na faixa mais alta (Nível 1), estão medicamentos amplamente disponíveis, como os usados para controle da pressão arterial, colesterol e diabetes. Entre eles, estão substâncias como hidroclorotiazida, amlodipina, captopril, enalapril, losartana, atenolol, propranolol, sinvastatina, atorvastatina e metformina.
Já o Nível 2 reúne medicamentos com concorrência moderada, como versões mais recentes para diabetes, alguns antidepressivos e ansiolíticos mais modernos, além de remédios de marca que perderam patente, mas ainda têm poucos concorrentes diretos.
No Nível 3, com menor teto de reajuste, estão medicamentos com pouca concorrência ou tecnologia mais complexa, como insulinas de ação prolongada, a exemplo da insulina glargina.
Na prática, o aumento não será uniforme e pode variar de acordo com cada farmácia, marca e região. Em mercados com maior concorrência, há mais chances de promoções e descontos, o que pode reduzir o impacto final no bolso do consumidor.
Ainda assim, especialistas alertam que o reajuste pode ser sentido principalmente por quem faz uso contínuo de medicamentos, exigindo maior planejamento financeiro por parte das famílias.