Com uma fronteira por onde se estima que passaram cerca de 40% das 117,4 toneladas de cocaína apreendidas no Brasil em 2025, Mato Grosso do Sul se consolida como corredor de drogas destinadas ao exterior e ao mercado interno, realidade que coloca o Estado entre os principais alvos da ofensiva contra o crime organizado anunciada pelo governo federal nesta terça-feira (12).
O secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado, Antonio Carlos Videira, reconhece o desafio, mas afirma que a resposta estatal deve combinar inteligência, integração entre forças de segurança em todos os níveis, orçamento para repressão e educação na base da pirâmide social como alternativa de prevenção ao consumo.
Nesta entrevista exclusiva ao Campo Grande News, o secretário diz sem rodeios que organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho enxergam a fronteira como ponto estratégico para seus negócios, infiltram-se na economia formal e investem em campanhas eleitorais.
“Mato Grosso do Sul possui fronteiras importantes e as facções têm interesse em dominar cidades-gêmeas e áreas limítrofes para exercer influência política e econômica”, afirma. Videira alerta ainda que a maior parte das armas que abastecem facções e milícias no Rio de Janeiro e São Paulo, ao contrário do senso comum, entra por portos, e não pela fronteira seca.