A maternidade, em sua maioria, é um dos momentos mais desafiadores da vida de uma mulher. Acostumada à sua rotina e individualidade, de repente ela se vê imersa em um universo desconhecido, ao lado de um novo ser igualmente desconhecido e totalmente dependente. Surgem as noites maldormidas, as preocupações com o futuro, os desafios emocionais e físicos, a sensação de perda de identidade e uma culpa acompanhada de comparações que parecem surgir assim que os dois risquinhos aparecem no teste de gravidez.
Ainda assim, para aquelas que decidem viver esse mundo repleto de altos e baixos, a experiência se torna transformadora, cada uma à sua maneira, dentro de suas próprias vivências e particularidades.
Mães biológicas, adotivas, avós que assumem o papel de mãe, madrastas, mães solo… Cada configuração familiar carrega consigo erros e acertos, lágrimas e sorrisos, medos e certezas. Em meio a tudo isso, cada mulher se redescobre dentro de sua própria verdade e maternidade, muitas vezes sacrificando as próprias necessidades e vontades pelo bem-estar daqueles que lhe dão o título de mãe.
Nesta matéria especial do Dia das Mães, contamos histórias de mulheres que redescobriram a própria identidade na maternidade e encontraram em seus próprios filhos um novo propósito para a vida.
Para Neiva Bete Martins da Silva Bento, de 58 anos, a maternidade sempre foi uma meta de vida. Ela se sentia preparada para isso e, por este motivo, quando o primeiro positivo surgiu, não houve medo, apenas vontade de viver intensamente este novo mundo. Mas a vida tem suas surpresas e nem tudo saiu como ela esperava. Mesmo casada, os desafios de criar os filhos, Renan da Silva Ferreira, hoje com 41 anos, e Amanda da Silva Ferreira Brandão, agora com 39, nunca foram divididos. Este cenário tornou o início de sua maternidade desafiador.
“Acho que a mulher já nasce preparada para ser mãe, pelo menos eu. Engravidei aos 17 anos e tive meu primeiro filho aos 18, o Renan. Aos 22, tive a segunda filha, a Amanda. Foi um momento muito difícil, muito difícil, mesmo, mas eu consegui conciliar. Na época, não trabalhava e, depois que eu comecei a trabalhar, ficou um pouco mais fácil pra mim. Mas eu fui uma mãe que criou os filhos praticamente sozinha, os dois. Na primeira gestação, fui mãe solo. Na segunda, foi quase a mesma coisa. Pra mim, [a maior dificuldade] foi conciliar trabalho, o papel de mãe… porque não basta parir, você tem que ser mãe. Mas eu sempre gostei disso. Eu falo que queria ter seis filhos, mas Deus me preparou dois e depois eu ganhei mais dois de presente”, conta.
Foi no início dos anos 2000 que a vida de Neiva, agora militar, mudou completamente. Ao conhecer seu marido — também militar — Handerson Bento, ela conheceu seus outros dois filhos: Felipe, na época com 4 anos, e Giovana Ferreira Serafin, com 2 anos e 9 meses.
“Foi maravilhoso, porque eu sempre gostei de criança. E, quando eu conheci meu marido, ele tava separado há um ano e pouco, eu acho, não me lembro bem, e ele tinha duas crianças”, conta. “Quando completou quatro meses que eu estava namorando o meu marido, a mãe [biológica] entregou os dois pra mim. Ela chegou um dia, falou que não ia ter condições de criá-los e perguntou se eu queria. Falou que ia deixar com o pai e eu peguei, abracei a causa. Mas abracei como mãe, mesmo, não como madrasta, como mãe, com amor, com dedicação, com companheirismo”, lembra.