O Brasil concedeu 23,5 mil autorizações de residência a cidadãos do país no ano passado para o Paraguai. Isso representa mais da metade do total de estrangeiros que migraram. Já neste ano, o ritmo segue forte: foram 9,2 mil nos três primeiros meses.
Se antes o perfil era dominado por estudantes de Medicina, hoje o fluxo é composto por empresários e aposentados — atraídos por três fatores principais: impostos baixos, custo de vida menor e estabilidade política, conforme levantamento realizado pela BBC Brasil.
A conta ajuda a explicar. Enquanto a carga tributária no Brasil gira em torno de 32% do PIB, no Paraguai é de apenas 14,5%. Por lá, a regra é simples: 10% de imposto de renda, 10% sobre empresa e 10% sobre consumo.
Além disso, programas como a maquila permitem que indústrias instaladas no país possam importar matéria-prima quase sem imposto, produzir no território paraguaio e exportar pagando pouquíssimos tributo.
A estratégia fez com que unidades de fábricas da Lupo e Riachuelo, por exemplo, decidissem se transferir para aquele país. Não à toa, o Paraguai cresce cerca de 4% ao ano, mais do que o Brasil e que a média da América Latina.
Desafios
O país vizinho, entretanto, ainda enfrenta desafios estruturais: 62,5% dos trabalhadores estão na informalidade, não há FGTS ou seguro-desemprego, e os benefícios trabalhistas são mais limitados. Apesar do salário mínimo maior em valor nominal, a rede de proteção é bem menor.