Mais de 500 processos judiciais em Mato Grosso do Sul acusam a empresa PKL One Participações S.A. de prática abusiva na concessão de crédito consignado a servidores estaduais. Movidas em sua maioria por aposentados e pensionistas, as ações contestam o modelo do produto “CredCesta” — ligado ao Banco Master —, que transforma empréstimos em dívidas automáticas e por tempo indeterminado na folha de pagamento.
A PKL One possui filial em Campo Grande e desde março de 2023 está autorizada pela SAD (Secretaria de Estado de Administração) a operar consignados na folha de pagamento de servidores do Estado.
As ações apontam diversas possíveis irregularidades que vão de juros abusivos a descontos sem autorização, como no caso de um servidor público que afirmou à Justiça ter tido mais de R$ 8 mil descontados de seu salário sem nunca ter tido qualquer tipo de contrato com a PKL. Audiência sobre o caso está marcada para julho.
Em outro caso, um policial militar aposentado afirma ter contratado empréstimo consignado no valor de R$ 6,2 mil. Então, começaram os descontos em folha e o servidor acreditava ser referente às parcelas do empréstimo.
No entanto, as parcelas começaram a ficar mais caras e o policial descobriu que, na verdade, o que estava sendo descontado era como se ele tivesse contratado um cartão de crédito consignado.
Então, até maio de 2026, ele alega que foram mais de R$ 19 mil pagos à PKL.
Em vários casos, o processo tramita como superendividamento e há relatos de servidores com mais de 40% do salário comprometido com consignado envolvendo a PKL.
É exatamente assim que funciona a prática. O servidor acredita estar contratando um empréstimo consignado tradicional, mas a empresa emite um cartão de crédito e desconta apenas o ‘valor mínimo da fatura’ na folha. O restante vai para o rotativo do cartão, gerando juros sobre juros e uma dívida ‘interminável’.