O governo dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira (1º) um novo tarifaço de 25% sobre mercadorias brasileiras. A medida do governo de Donald Trump pode atingir um mercado em expansão em Mato Grosso do Sul: o de etanol de milho.
Investigação do Escritório de Representante Comercial dos EUA apontou que o governo brasileiro tem práticas ‘irrazoáveis’ e ‘oneram ou restringem’ o comércio norte-americano.
Isso porque o governo brasileiro passou a taxar em 18% o etanol importado dos EUA, enquanto que o etanol brasileiro chegava no mercado norte-americano com tarifa de 2,5%, segundo a Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes).
O impasse tarifário foi pauta de encontro entre Trump e Lula no dia 7 de maio. Após a visita, os dois países criaram um grupo de trabalho bilateral para tratar sobre o tema e chegar num consenso.
No entanto, antes das sanções começarem a valer na prática, há uma série de prazos que vão até o dia 15 de julho, quando medidas corretivas poderão começar a ser aplicadas contra o Brasil.
A diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira, Patrícia Arantes, diz, em artigo publicado pela Fecombustíveis, que a expansão de usinas de processamento de etanol em estados como o Mato Grosso do Sul amplia a capacidade de exportação nacional e isso pode estar no centro da disputa tarifária.
“Nos tornamos o principal competidor dos Estados Unidos, o que gera dificuldades comerciais”, explicou.
Nos últimos dois meses, duas novas usinas de processamento de milho foram anunciadas em Mato Grosso do Sul. Mais recentemente, em maio, a Atvos lançou sua primeira unidade para processar grãos, que vai ficar pronta até 2028, numa ampliação de operação da Usina Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul.